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15/10/15
Saúde deve ser prioridade do governo, diz estudo do CFM
Carlos Vital, presidente do CFM: uma das principais dificuldades enfrentadas pelos usuários do SUS é o tempo de espera para receber atendimento
Da redação

Brasília - Pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e feita pelo Instituto DataFolha em todo o país, mostra que os brasileiros consideram a saúde como a área que o governo deve dar prioridade. Para o trabalho, foram entrevistados 2.069 pessoas com 16 anos ou mais, entre 10 e 12 de agosto. Com informações do CFM e da Agêncoa Estado. 

Conforme o estudo, 43% dos entrevistados consideram que a saúde é o tema que merece maior preocupação, seguido da educação (27%), e do combate à corrupção (10%). Embora os números sejam significativos, houve uma diminuição em relação à mesma pesquisa realizada no ano passado. Em 2014, 57% avaliaram que a saúde era a área que merecia maior atenção.

Carlos Vital, presidente do CFM, acredita que a redução não esteja ligada à melhora nas condições de atendimento e infraestrutura de saúde, mas, sim, a problemas que se tornaram mais agudos em outras área ligados, por exemplo, ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e à corrupção.

De acordo com a pesquisa, uma das principais dificuldades enfrentadas por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) é o tempo de espera para receber atendimento. O estudo revela que um quarto dos entrevistados aguardava mais de 12 meses para serem atendidos. Do total, 16% afirmou esperar entre 6 e 12 meses e 39%, de um a seis meses.

Conforme Vital, quanto maior a complexidade do procedimento, maior a dificuldade de acesso. Além disso, para a realização de cirurgias, por exemplo, 44% disseram aguardar mais de 12 meses. Tempo considerado inadmissível pelo presidente do CFM.

Isso explica o fato de que a maior crítica feita ao SUS é a espera (36%), seguido pela falta de médicos (19%), pela falta de estrutura dos hospitais (15%) e pela falta de organização (9%). Ao todo, 54% atribuíram nota de 0 a 6 ao atendimento. Em geral, a população considera difícil o acesso ao SUS. O equivalente a 63% dos entrevistados classificou como difícil e muito difícil o acesso a cirurgias e 59%, o acesso a consultas com médicos.

Entretanto, os que conseguem ultrapassar o problema do acesso disseram estar satisfeitos com o serviço. Entre os que fizeram cirurgias no SUS, por exemplo, 55% consideraram o atendimento bom ou excelente.

Ainda segundo o levantamento, a nota dada pelo brasileiro ao SUS é maior do que a dada para o sistema de saúde de forma geral, incluindo a saúde suplementar e a particular.

A pesquisa também revela que 12% dos entrevistados concederam nota máxima ao SUS, bem acima dos 6% que consideraram ótimo e excelente o sistema de saúde de forma geral. Do total de entrevistados, 86% buscaram o SUS nos últimos dois anos e 83% usaram no período algum serviço ofertado pelo sistema. A maior fatia foi de atendimento em postos de saúde (69%) e consultas (67%).



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