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30/06/15
Setor de medicamentos biotecnológicos bate recorde em 2014
Segundo consultoria EY, 68 negociações de fusão e aquisição no segmento foram realizadas em 2014 e geraram recursos de aproximadamente US$ 49 bilhões
Da redação

Em 2014, conforme relatório anual da consultoria EY, a indústria global de medicamentos biotecnológicos - produzidos a partir de organismos vivos, como células, bactérias e leveduras - bateu recordes em 2014 nos principais indicadores econômicos e financeiros. Pela primeira vez, o setor ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, e esse desempenho traz novos desafios à indústria, que no Brasil começa a engatinhar por meio de acordos de transferência de tecnologia. Com informações do Valor Econômico e EY.

A 29ª edição do relatório "Beyond Borders -­ Reaching new Heights", revela que a maturidade do setor em relação aos outros mercados, com destaque para Europa e Estados Unidos, à frente de outras regiões em pesquisa e receitas, deu origem a uma nova fase de inovação que, a longo prazo, irá criar valor a pacientes, investidores e companhias. Além disso, há cada vez mais recursos disponíveis para investimento no setor.

De acordo com a EY, os primeiros reflexos dessa onda surgiram com os números das novas drogas aprovadas. Graças aos esforços da FDA (Food and Drug Administration), órgão de regulamentação nas áreas de saúde e alimentação nos Estados Unidos, em 2014 41 medicamentos biotecnológicos foram aprovados. Em 2013, foram 27 novas drogas e mais de 75% das aprovações ocorreram no primeiro protocolo.

O estudo também revelou que as companhias sediadas nos Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália, locais considerados como os centros estabelecidos da indústria biotecnológica, tiveram, em 2014, uma receita recorde conjunta de US$ 123 bilhões e expansão de 24%. De acordo com a consultoria, as receitas registradas em 2013 cresceram 12%, excluindo­se o crescimento fora do comum de um dos líderes do mercado, a Gilead Sciences.

Frente a este cenário e da expectativa positiva para o longo prazo, um grande volume de recursos passou a ser aplicado em empresas de menor porte, consideradas atualmente como as principais fontes de avanço nos próximos anos. Segundo a EY, 68 negociações de fusão e aquisição no segmento de biotecnologia foram realizadas em 2014, e geraram recursos de aproximadamente US$ 49 bilhões.

Também em 2014, as companhias americanas e europeias levantaram US$ 54,3 bilhões. O valor é 72% acima do que foi captado no ano anterior, dos quais US$ 28,3 bilhões foram relativos a financiamentos não geradores de dívidas decorrentes do mercado aquecido de ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) e das ofertas subsequentes.

Os biofarmacêuticas, na Europa e Estados Unidos, levantaram US$ 7,6 bilhões em capital de risco. Número considerado 28% acima do valor recebido um ano antes e o número de IPOs ficou em 94, acima do número histórico de 79 operações registrado em 2000, no auge da bolha da internet e da biotecnologia. Neste caso, na esteira de notícias de sequenciamento do genoma humano). Conforme a EY, essas operações de abertura de capital arrecadaram US$ 6,8 bilhões somente em 2014.

No entanto, a consultoria avalia que, por outro lado, o grande número de aprovações de novos medicamentos lança novos desafios à indústria farmacêutica. Entre eles, uma maior pressão sobre os preços e maiores dificuldade na obtenção de bons resultados em fusões e aquisições. 

O alerta vem no momento em que a indústria brasileira se empenha para se consolidar, como plataforma de produção desse tipo de medicamento, sobretudo de biossimilares, apta a atender não apenas ao mercado doméstico mas também a outros países.



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