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13/04/18
Sistema de saúde deveria pagar por resultado, e não por procedimento
A remuneração de hospitais e médicos deve levar em conta o resultado
Omar Ishrak

Hospitais e médicos são remunerados pelos planos de saúde ou pelo governo de acordo com os procedimentos realizados, na maioria dos países. Se o paciente de fato melhorou com o tratamento realizado, é outra história. Omar Ishrak é presidente mundial da Medtronic, uma empresa com faturamento anual de 29 milhões de dólares e uma das maiores fabricantes de dispositivos médicos do planeta. Para ele, esse modelo precisa ser repensado porque incentiva o desperdício e aumenta os custos.


Num país como o Brasil, o senhor acha possível fornecer um serviço de saúde de qualidade e ao mesmo tempo acessível?

O Brasil não é o único país que enfrenta esse problema. Na verdade, nenhum país do mundo tem acesso igualitário à saúde atualmente. Mas, antes de pensar no custo, é necessário ter meios para fazer o diagnóstico correto. É preciso ter hospitais e clínicas. O custo não é o maior problema.

Por que não?

Dou um exemplo: posso doar marca-passos modernos a uma vila no interior e ninguém usá-los. Porque não há hospital. Não há médicos. É claro que as terapias mais avançadas sempre serão feitas nos grandes centros. Mas a diferença hoje é grande demais. Alguns tratamentos que são comuns há décadas em países ricos simplesmente não estão disponíveis em outras regiões.

Há alguma política que poderia ajudar a resolver o problema?

Precisamos de um modelo que seja mais focado em alcançar resultados. O que temos hoje é um sistema em que os pacientes pagam pelos serviços que utilizam, independentemente do resultado. Minha sugestão é esta: buscar um modelo em que a remuneração esteja ligada ao valor que é gerado para o paciente.

Mas, e nos casos em que o paciente não pode ser curado? Como remunerar os médicos, hospitais e planos de saúde?

Nesses casos, é importante ter uma compreensão clara sobre se o resultado pode de fato ser alterado ou não. Dependendo do estágio da doença, não há tratamento disponível. É melhor administrar a situação de uma maneira menos custosa, o que não é feito hoje. Não há incentivo para manter os custos baixos.

O modelo que o senhor propõe é financeiramente viável?

É a única coisa que é viável. Se alguém paga por um serviço de saúde é porque quer melhorar. Do jeito que está hoje, o sistema de saúde está se tornando — e vai se tornar cada vez mais — um fardo, porque há muito desperdício de dinheiro.

Como resolver esses problemas na prática?

Deixe-me dar um exemplo. Existe um tipo de infarto do miocárdio chamado Stemi, na sigla em inglês. Começa com uma dor no peito e, se o paciente não procurar tratamento com rapidez, pode ter complicações e morrer. Existem poucos hospitais especializados em tratar essa doença. O que fizemos foi escolher algumas clínicas e ensinamos as equipes a diagnosticá-la. Se der positivo, o paciente será encaminhado ao hospital especializado.

Onde estão essas clínicas? Aqui no Brasil?

Sim. No Brasil, são 102 centros. Mais de 4 500 pacientes já foram diagnosticados e diminuímos as taxas de mortalidade em 50%. É isso que quero dizer com um modelo que tenha foco no resultado. Vender mais tecnologia não vai resolver esse problema. É preciso de uma abordagem inteligente para entender onde está o problema e como resolvê-lo. Todos ganham assim. Claro que nós vendemos mais dispositivos. Mas vendemos porque as pessoas precisam deles. É assim que expandimos os negócios. 




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