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30/01/12
Alta tecnologia em home care: um potencial inexplorado
Em artigo inédito no Brasil, pesquisadores defendem a adoção de sistemas avançados de atenção domiciliar como alternativa aos custos crescentes
Basel Kayyali, Zeb Kimmel e Steve Van Kuiken, da McKinsey &

Na superfície, o home care de alta tecnologia deveria ser próspero nos Estados Unidos. A população do país envelhece, e doenças agudas como a insuficiência cardíaca estão se transformando em doenças crônicas, o que significa que o número de pacientes está crescendo. Além disso, novos recursos em tecnologias médicas poderiam ajudar a deixar os pacientes em casa, em vez de em instituições caras, como instalações de moradia assistida ou lares para idosos – levando a potenciais economias para o sistema de saúde.

 

Ao invés disso, o potencial total do home care de alta tecnologia ainda está para ser explorado. Nos Estados Unidos, home care representa cerca de 3% (US$ 68 bilhões ao ano) dos gastos nacionais com a saúde. O mercado está crescendo cerca de 9% anualmente, um crescimento sólido, mas dificilmente em expansão, especialmente porque o trabalho (principalmente de enfermeiros e auxiliares) é responsável por cerca de dois terços das despesas, e a tecnologia de monitoramento em casa representa uma pequena fração delas. O que está segurando o mercado? Observamos uma grande quantidade de barreiras, incluindo o desalinhamento dos incentivos entre clientes e prestadores de serviço, a necessidade de demonstrar um forte valor clínico e o problema de projetos atraentes e produtos easy-to-use que facilitem a adoção pelos pacientes.

 

A tecnologia possui um papel central na expansão do mercado de home care. Historicamente, muito da infraestrutura e equipamento consistem em produtos médicos duráveis: andadores, cadeiras de rodas, degraus de parede, tapetes de segurança e assim por diante. Essa infraestrutura possibilitou recursos básicos para o home care, mas não conseguiu substituir as capacidades mais sofisticadas de ambientes de cuidados especializados, como plantões de enfermagem em instituições para serviços de assistência de longa duração. Nos anos mais recentes, entretanto, as novas tecnologias de home care – monitores com internet acessível em casa, aplicativos para saúde móvel e telemedicina – estão trazendo aspectos de sistemas de saúde avançados para a casa dos pacientes. Essas tecnologias estão encontrando lugar em todas as partes do globo.

 

A expansão do home care de alta tecnologia oferece um caminho promissor para dobrar as curvas de custo sempre crescentes das despesas de saúde. Independentemente dos benefícios econômicos, o valor moral de disponibilizar para pessoas mais idosas a possibilidade de viver com respeito e dignidade em suas próprias casas, com um efeito cascata em seus cuidadores, é indiscutivelmente – se quantificável – um benefício do home care. Isso evoluirá, entretanto, apenas se as partes interessadas desenvolverem modelos mais justos de reembolso, que criem melhores incentivos para participar do mercado de alta tecnologia de saúde em domicílio. Além disso, fabricantes de dispositivos médicos precisam focar em tecnologias que sejam mais fáceis de usar, tenham um impacto real nas condições do paciente e tornem possível a apuração de resultados.

 

Um entendimento dessas questões é importante para todas as partes interessadas: fabricantes de recursos médicos, seguradores, médicos, hospitais e reguladoras do governo, buscando otimizar investimentos em atendimento de saúde em domicílio. Com o mercado crescendo e opções de expansão disponíveis tanto nacional quanto internacionalmente, este é um tempo promissor para estar no mercado de home care de alta tecnologia.

 

Onde o home care pode contribuir O objetivo do home care de alta tecnologia – a entrega de diagnósticos de saúde ou tratamentos na residência do paciente – é prevenir ou reduzir a necessidade de tratamento institucional, amenizando o fardo financeiro e emocional sobre a sociedade e sobre os indivíduos. Sua tese central é que algumas doenças crônicas podem ser tratadas através de monitoramento e intervenção na casa do paciente em vez de em configurações institucionais de alto custo.

 

Claro, o segmento acima de 65 anos compõe a maior parte dos pacientes de home care e é o combustível para o crescimento do mercado. Estes homens e mulheres experimentam tratamento principalmente em quatro configurações: em suas casas, instalações de moradia assistida, instalações de atendimento às doenças mais graves (hospitais) e instituições de tratamento de longa duração, como casas de repouso ou instalações qualificadas de enfermagem. Fatores clínicos ou econômicos impulsionam pacientes de uma configuração de saúde para outra. A troca das casas para instalações de moradia assistida é tipicamente direcionada por um declínio gradual das capacidades cognitivas e físicas; das residências ou instalações de moradia assistida para instituições destinadas a doenças mais graves através de eventos como fraturas ou infartos; e de casas, instalações de moradia assistida e instituições para doenças mais graves para instituições de tratamento de longa duração com os movimentos através de um ponto de crise financeira ou clínica (como, por exemplo, uma falência ou o diagnóstico de demência ou outra doença crônica).

 

O valor mais importante oferecido pelo home care de alta tecnologia é a prevenção ou o adiamento da transferência de pacientes para instalações destinadas ao tratamento de doenças mais graves ou de longa duração. As tecnologias usadas na atenção domiciliar, naturalmente, não podem resolver todos os potenciais fatores subjacentes à atuação do home care – por exemplo, traumas por acidentes de carro estão além do alcance. As condições médicas que podem ser solucionadas com sucesso pelo home care de alta tecnologia possuem três critérios: elas são crônicas – persistem por anos em vez de dias ou meses –; podem ser prevenidas ou resolvidas por protocolos repetitivos e estabelecidos como um padrão passo-a-passo, com instruções executadas por não médicos; e elas não são intensivas – sem requerimento para atenção cronometrada ou monitoramento humano.

 

Diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca congestiva, obstrução crônica pulmonar e prevenção a fraturas são condições de alta prevalência médica que satisfazem estas condições. Elas são importantes doenças-alvo para atuais e futuros avanços em home care.

 

O que o futuro reserva O ambiente do home care de alta tecnologia é passível de mudança nos próximos anos. Para sua maior expansão, existem dois fatores- chave:

 

Reforma no sistema de saúde – Em um tempo de um stress fiscal geral e uma preocupação específica com fraudes de faturamento, contribuintes públicos ou privados são improváveis para aumentar o financiamento ou a cobertura do atendimento domiciliar. O escritório de orçamento do Congresso (EUA) estima que o Affordable Care Act (Lei para a Saúde Acessível), por exemplo, receberá US$ 39,7 bilhões de recursos provenientes de reembolsos federais do sistema de saúde nos próximos anos. Os contribuintes são muito mais favoráveis a buscar diversas formas de captação (pagamento por pessoa em vez de, por assim dizer, por serviço) e modelos de risco compartilhado, com o objetivo de fornecer aos profissionais um incentivo para subsidiar tecnologias de home care e serviços.

 

O desalinhamento entre contribuintes e beneficiários é uma importante barreira na penetração das tecnologias de atendimento domiciliar. Eles são favoráveis ao benefício se os esforços da reforma acelerarem, com sucesso, o alinhamento de incentivos – por exemplo, através da criação da Accountable Care Organization (grupos de profissionais de sistema de saúde coordenados) ou pagamentos agrupados entre contribuintes e profissionais. De fato, a propagação da tecnologia de home care tem especialmente um forte potencial de se acelerar diante de tal cenário. Até porque setores como o de saúde, que dependem de mão de obra qualificada – farmacêuticos, enfermeiros e médicos –, são mais vulneráveis à escassez de trabalho e ao eventual aumento de abordagens de base tecnológica.

 

Aumento de bases de evidência – Como os projetos-piloto do home care de múltipla tecnologia têm desenrolado, durante a última década, em organizações públicas e privadas, foram acumulados dados dos dois lados dos registros de valores clínicos e retornos dos investimentos. Em alguns casos, essas experiências produziram sucessos convincentes. Em outros, não funcionaram como esperado.

 

As fraudes continuam sendo uma preocupação iminente no atendimento domiciliar. O escritório de prestação de contas do governo dos EUA relatou “estimados pagamentos impróprios para o Medicare (seguro saúde administrado pelo governo americano) de quase US$ 48 bilhões no ano fiscal de 2010”, incluindo gastos com oxigênio domiciliar e outros recursos de saúde domiciliar. Para qualificar a cobertura dos contribuintes ou gerar incentivos no âmbito do seguro para os indivíduos, as tecnologias do atendimento domiciliar podem também oferecer novos caminhos para lidar com as fraudes no atendimento domiciliar, melhorar a saúde e qualidade de vida dos pacientes, além de economizar dinheiro.

 

Vemos um crescimento substancial na home care de alta tecnologia. Uma população envelhecendo e uma crescente carga de doenças crônicas apontam para um mercado largo e em expansão. Mas os stakeholders em home care devem adquirir os modelos corretos de reembolso e se assegurar que as tecnologias chegando ao mercado fazem realmente a diferença para pacientes e resultados finais do mesmo modo.

 

*Todos os direitos reservados. Reproduzido com autorização da McKinsey & Company



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