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05/05/15
Apple Watch poderá ter um forte impacto no setor de saúde
De acordo com números da britânica PwC, se apenas o Brasil adotar os recursos digitais disponíveis até 2017, os gastos anuais com saúde terão uma redução equivalente a 15,2 bilhões de dólares
Exame

São Paulo - O Apple Watch, relógio da Apple anunciado em setembro e vendido a partir do final de abril, é o primeiro da marca sem a contribuição de Steve Jobs, morto em 2011. Mesmo sem a participação de Jobs no projeto, o alarde em torno do lançamento do produto, uma espécie de computador feito para ser utilizado no pulso, parece o mesmo visto anteriormente em iPods, iPhones e iPads. As informações são da Exame.

No primeiro dia de pré-venda, que aconteceu no dia 10 de abril, cerca de 1 milhão de pedidos foram feitos nos Estados Unidos. O número foi superior à venda total de relógios inteligentes em todo o ano de 2014. Como já ocorreu antes, a Apple não inventou esse tipo de produto. Mesmo assim, a expectativa em torno do relógio é tanta que, o mês de abril de 2015 poderá entrar para a história como um marco para os wearables — aparelhos digitais "vestíveis", como relógios, pulseiras e óculos inteligentes.

Por enquanto, o produto está disponível apenas nos Estados Unidos, Austrália e em mais sete países da Europa e Ásia. Ainda não há previsão sobre quando o produto será vendido no Brasil. Mas tudo indica que, em pouco tempo, o relógio poderá se tornar tão comum quanto os iPhones.

Consultorias de tecnologia começaram a refazer as previsões de vendas do Apple Watch desde que o atual presidente da Apple, Tim Cook, anunciou o seu lançamento. Segundo a Euromonitor, no ano passado o número de wearables vendidos em todo o mundo foi de 22 milhões. A previsão para este ano deve ser de 71 milhões e, para 2018, deverá pular para 260 milhões. 

A estratégia da Apple é vender o Apple Watch como um produto de luxo, e é bem possível que ganhe status como um item de moda. Se as previsões se confirmarem, será normal as pessoas olharem para o pulso para ler mensagens ou levar o braço à boca para falar em vez de usar o telefone. 

Saúde — Mas a popularização do Apple Watch promete dar início a uma grande mudança principalmente na área da saúde que, já que, ao ser grudado ao corpo, um wearable é capaz de monitorar continuamente a saúde dos usuários. Isso já é um fato na área de fitness, por exemplo.

O Apple Watch terá recursos semelhantes às pulseiras do Up, que pertence à fabricante Jawbone. O aparelho consegue identificar a quantidade de exercícios realizados por dia, o número de calorias queimadas e a qualidade do sono. 

Mas mais adiante, a expectativa é que o Apple Watch dê um passo maior ao conectar os usuários ao sistema de saúde. O trabalho que está sendo realizado pelo departamento de medicina da Universidade Stanford é um bom exemplo.

Em março, médicos da universidade lançaram o aplicativo MyHeartCounts — disponível na plataforma Research Kit, que pertence à Apple — no qual pessoas são incentivadas a registrar informações relacionadas à dieta e atividade física. A proposta é montar um banco de dados para estudar as relações entre hábitos diários e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quem usa o aplicativo recebe uma avaliação médica de especialistas de Stanford. 

Em poucas semanas, os pesquisadores conseguiram medir o poder da Apple. Acostumados a atrair poucos milhares de participantes para as pesquisas, os médicos agora acreditam que chegarão facilmente a milhões. No momento, o aplicativo está disponível apenas em iPhones e iPads nos Estados Unidos. “Imagine quando migrarmos para o Apple Watch, que mede o batimento cardíaco”, afirmou o diretor da divisão de medicina cardiovascular da Escola de Medicina da Universidade Stanford, Alan Yeung.

Além de poder participar de pesquisas médicas, espera-se que os usuários de wearables também diminuam as visitas aos seus médicos. Essa é a proposta do inglês Mike Barlow que, ao ser diagnosticado com o mal de Parkinson, aos 41 anos, abandonou o emprego numa empresa de logística para criar o aplicativo MyHealthPal, focado em portadores da doença.

Atualmente, projetos como esses só são possíveis por causa do grande avanço no que se convencionou chamar de big data, ou seja: a capacidade de se armazenar uma grande quantidade de dados e utilizar softwares para analisá-los. E diante dessa possibilidade de se concentrar tanta informação sobre saúde, muitas empresas passaram a correr para ver quem sai na frente na organização desses grandes bancos de dados.

O Google Ventures, por exemplo, fundo da gigante da internet, teve o seu maior investimento em medicina na Flatiron, empresa que possui uma plataforma em nuvem para armazenar informações de pacientes. 

Já a empresa de tecnologia IBM anunciou, na primeira quinzena de abril, a criação de uma nova unidade de negócios, a Watson Health, que vai disponibilizar um serviço semelhante — no Brasil, inclusive. A IBM precisou comprar duas empresas de análise e armazenamento de dados de saúde nos Estados Unidos. 

Os prontuários dos clientes serão abastecidos com informações de clínicas e hospitais. Entretanto, os dados poderão ser disponibilizados através de wearables. Um software deverá ajudar médicos na hora de definir diagnósticos e medicamentos, além de servir de ferramenta para pesquisas. De acordo com Fábio Scopeta, líder da Watson Health no Brasil, isso tornará a pesquisa na área muito mais rápida e barata.

Em abril, a IBM também anunciou uma parceria com a Apple para armazenar dados e montar uma plataforma que una pesquisadores, médicos e planos de saúde. Para Alexandre Chiavegatto, professor de estatística da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, trata-se do início de uma grande revolução na medicina.

Diminuição dos custos — Espera-se que a grande facilidade de acesso à informação sobre dados dos paciente reduza os custos com a saúde. Isso porque, com o histórico médico atualizado e disponível em qualquer computador, diagnósticos devem ficar mais precisos e o número de exames repetidos deve diminuir. 

De acordo com números da consultoria britânica PwC, se o Brasil adotar todos os recursos digitais que já estão disponíveis até 2017, os gastos anuais com saúde terão uma redução equivalente a 15,2 bilhões de dólares. 

Wearables e celulares fazem parte do que foi batizado de mobile health. O que também é chamado de medicina de precisão, onde ocorre o aproveitamento de todas as informações disponíveis sobre uma pessoa, desde hábitos alimentares até dados genéticos.

No entanto, no momento em que a medicina parece estar prestes a dar um novo grande salto, especialistas estão chamando a atenção para os perigos de se idealizar o poder da tecnologia. Segundo um artigo publicado em abril no British Medical Journal, assinado pelo médico Des Spence, o uso indiscriminado dos aplicativos pode criar uma espécie de "histeria coletiva".

Com o excesso de informações, cada vez mais pessoas poderão ser levadas a fazer diagnósticos errados. Além disso, em vez de esvaziar consultórios e hospitais, a tecnologia poderia aumentar a demanda por eles. 

O médico cita como exemplo, casos de arritmia cardíaca e pressão alta, que não têm nenhum efeito nocivo para a saúde mas, se forem identificados por pessoas comuns, poderão aumentar a automedicação.

Ainda segundo o médico, as pessoas vão perder tempo monitorando a vida, em vez de viver, e quem sairá ganhando serão as empresas farmacêuticas. Argumentos como esse têm sido utilizados para criticar Foods and Drugs Administration (FDA), órgão que regula o setor de saúde nos Estados Unidos. Em fevereiro, a entidade divulgou um comunicado no qual afirma que não pretende regular aplicativos considerados de baixo risco.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2014 pela McKinsey na Alemanha, Reino Unido e Singapura, 75% dos entrevistados afirmaram que querem utilizar serviços digitais de saúde. Mas os entrevistados fizeram duas ressalvas. A primeira indica que os serviços devem atender às necessidades dos pacientes. A segunda está elacionada com a falta de qualidade. 

Segundo o sócio do Google Ventures, Krishna Yeshwant, para que haja o desenvolvimento da medicina digital, não resta dúvidas de que os wearables ainda precisam avançar bastante em termos de precisão. 

E a entrada da Apple é encarada como um sinal de que a exatidão dos aparelhos deve aumentar, já que a empresa é mundialmente famosa pela qualidade, e suas vendas vão certamente elevar a competição. 

Alan Yeung, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aplicativo MyHeart­Counts e diretor da divisão de medicina cardiovascular da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, afirma que eles estavam esperando pelo Apple Watch, porque o aparelho deverá ser mais preciso. 

Queixas — Alguns usuários do Apple Watch já reclamaram do aparelho, afirmando que é difícil utilizá-lo. Além disso, alguns chegaram a informar que o produto foi lançado parecendo uma versão de testes, algo que Jobs jamais teria feito. 

Ao contrário do que defendia Jobs em lançamentos de produtos, o Apple Watch tem uma diferenciação de estilo. O modelo Sport é vendido para práticas esportivas. Já o Watch, para o dia a dia. E o Edition é um modelo premium banhado a ouro. Os preços variam de 349 a 17.000 dólares. 

Mas para médicos, pacientes e cientistas envolvidos com a medicina de precisão, nada disso importa. Eles querem apenas que o relógio da Apple seja, de fato, um marco na popularização dos wearables.

As informações são da revista Exame.



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