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02/04/12
Câncer de pulmão: remédio pode substituir quimioterapia
Pesquisadores descobriram que medicamento conseguiu ser suficiente no ganho de sobrevida. Troca pode ser feita apenas em pacientes com mutação de uma proteína
Da redação

Um medicamento já utilizado para tratar pacientes com câncer de pulmão pode substituir a quimioterapia administrada na veia. O "cloridrato de erlotinibe", ou Tarceva, remédio de via oral antes utilizado como complemento à quimioterapia convencional, mostrou-se tão eficaz quanto o método quimioterápico em pacientes que apresentam a doença, mas que sofrem de uma mutação diferenciada do tumor. Pesquisadores europeus descobriram que o remédio conseguiu ser suficiente no ganho de sobrevida, podendo ser usado unicamente nestes pacientes por um tempo mais prolongado. As informações são do G1.

 

Os pacientes que sofrem modificações diferenciadas do tumor têm uma mutação na proteína EGFR, localizada nas células do pulmão, mais comum em pessoas não fumantes que desenvolveram o câncer de pulmão de pequenas células (o tipo menos comum desse câncer). O câncer de pulmão não-pequenas células é o de maior abrangência, chegando a atingir até 80% dos casos. É causado em grande parte pelo consumo de derivados de tabaco, como o cigarro.

 

Segundo Artur Katz, chefe do serviço de oncologia do hospital Sírio-Libanês, o medicamento pode ser a única opção de tratamento para esses pacientes por meses e anos, dependendo de cada caso, e pode ser determinante para frear o crescimento do tumor. “[O uso] mais que dobra o período que demora para que o tumor se torne resistente ao tratamento e volte a crescer. E, em alguns pacientes, o efeito pode durar anos em vez de meses. Se, nesse período, tiver controlado [o crescimento do tumor], não precisa de quimioterapia”, afirma.

 

Além disso, o "cloridrato de erlotinibe", ou Tarceva, tem efeitos colaterais mais brandos do que a quimioterapia convencional, que deve ser administrada no hospital, como explica o oncologista Stephen Doral Stefani, do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS). “Os efeitos colaterais são mais confortáveis e ele pode ser usado em casa. Os mais comuns são a queda de glóbulos vermelhos, que causam anemia, e a queda da taxa de glóbulos brancos, que pode aumentar o risco de infecções.”

 

Um mês de tratamento com o medicamento custa em torno de R$ 6.000 a R$ 8.000. Por ser um remédio de alto custo, o paciente pode tentar incorporar o tratamento no plano de saúde ou recorrer à Justiça para consegui-lo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), explica Stefani.

 

A estimativa é de que surjam 17.210 novos casos de câncer de pulmão em homens e 10.110 em mulheres no Brasil somente em 2012. Os números correspondem a um risco estimado de 18 novos casos a cada 100 mil homens e 10 a cada 100 mil mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).



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