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18/12/12
Cientistas criam marca-passos biológicos em cobaias
Estudiosos acreditam que técnica, ainda em desenvolvimento, poderá funcionar em humanos, substituindo aparelhos eletrônicos em pacientes com batimentos irregulares
Da Redação

Após injetar um vírus modificado geneticamente no músculo cardíaco de porcos da índia, cientistas dos Estados Unidos conseguiram induzir as células das cobaias a se transformarem em "marca-passos biológicos". A técnica, ainda em fase de desenvolvimento, poderá substituir os marca-passos eletrônicos em pacientes que têm batimentos irregulares. 

Alguns estudos já haviam programado células do músculo cardíaco para adquirir funções ligadas à organização e controle dos batimentos do coração. Agora, os cientistas conseguiram resultado semelhante utilizando apenas um único gene - o Tbx18 - para modificar geneticamente as células cardíacas dos animais. 

O trabalho, realizado por pesquisadores do Cedars-Sinai Institute, em Los Angeles, no Estado americano da Califórnia, foi publicado no informativo periódico Nature Biotechnology. Como o Tbx18 é um gene humano, a equipe responsável acredita que a técnica funcione em corações humanos.

Solução alternativa - O coração humano é composto por bilhões de células quando em seu funcionamento normal. Segundo os pesquisadores, menos de dez mil têm a propriedade de controlar os batimentos cardíacos através de sinais elétricos em intervalos regulares. 

O ritmo e a frequência desses sinais podem ser alterados com o envelhecimento ou por causa de doenças, levando o coração a bater mais rápido, ou mais devagar, e em alguns casos, deixando de bater completamente.

Atualmente, a solução para este tipo de problema é a implantação de um marca-passo artificial no organismo dos pacientes. No entanto, a equipe americana optou por um caminho diferente: especialistas decidiram gerar, no coração das cobaias, novas células com o poder de controlar seus próprios batimentos cardíacos.

O grupo injetou o gene Tbx18 - escolhido por estar associado à formação, no embrião, das células que regulam os batimentos do coração -, em um vírus modificado geneticamente. Em seguida, o vírus foi usado para "infectar" as células do músculo cardíaco de sete porcos da índia.

Após serem infectadas, as células tornaram-se menores e mais finas, à medida que adquiriam características das células marca-passo, segundo o estudo. Dos sete porcos da índia que receberam as injeções do gene Tbx18 em seu coração, cinco passaram a apresentar batimentos cardíacos originados a partir dos novos "marca-passos".

Esperanças - Hee Cheol Cho, um dos pesquisadores que afirmou ter esperanças de que a técnica funcione em humanos, ressaltou que muitos outros testes em animais terão de ser feitos antes que o método possa ser testado em humanos. E as vantagens de se usar um marca-passo biológico, segundo o especialista, seriam muitas.

Segundo o pesquisador, os dispositivos elétricos são limitados à vida finita de suas baterias, necessitando de trocas. "Complicações como desalojamento, quebras e nós nos fios não são incomuns e podem ser catastróficas. A incidência de dispositivos com infecções bacterianas continua aumentando e, em pacientes pediátricos, o dispositivo não cresce com os pacientes", afirmou Hee. "Todos esses problemas podem ser resolvidos por um marca-passo biológico".

Repercussão - Sobre o estudo, o médico da Fundação do Coração Britânica, Jeremy Pearson, acredita que a capacidade de transformar células comuns do coração em células especializadas marca-passo é muito nova e cientificamente fascinante. 

"Ela cria a tentadora possibilidade de usar terapias celulares para restabelecer o ritmo normal do coração em pessoas que, de outra forma, precisariam de marca-passos eletrônicos. No entanto, muito mais pesquisas precisam ser feitas agora para entendermos se esses resultados podem ajudar pessoas com doenças cardíacas no futuro", afirmou.

*Com informações da BBC.



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