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03/10/14
EUA: Serviço de saúde rural em falência
Soluções passam por tecnologia com acesso a internet e pelos gigantes varejistas como a Walmart
da Redação

Os Estados Unidos têm um sistema de saúde incrível, para quem mora nas grandes cidades, mas nos meios mais rurais a situação é preocupante. Desde o início de 2013 foram encerrados 24 hospitais, um número superior ao registrado nos 15 anos anteriores.

Só no estado da Georgia fecharam 4 dos 65 hospitais rurais existentes, e de acordo com a revista americana Forbes, no próximo ano outros quinze irão ter o mesmo fim. Já no Alabama, problemas financeiros condenaram 6 hospitais no último ano e meio e deixaram outros 22 em risco, de acordo com a versão norte americana da Forbes.

Esta é uma situação preocupante para os 46 milhões de americanos que vivem em áreas rurais e que vêem as vidas ameaçadas por esse rumo.

No entanto, segundo Spencer Hamons, COO e CIO da Taos Health Systems, há duas questões que vão permitir manter a qualidade do serviço de saúde: A) a ubiquidade da tecnologia com acesso à internet e B) a recente entrada dos gigantes varejistas no mercado da saúde.


A) a ubiquidade da tecnologia com acesso à internet


O aumento da conectividade à internet permite que os cuidados médicos cheguem a novos espaços, incluindo o escritório, a sala de aula, o carro ou a própria residência particular.

Hoje em dia já é possível comprar uma app e um acessório para o smartphone que realize um eletrocardiograma de 12 derivações. O novo Apple Watch consegue medir e controlar a pressão arterial. Em breve surgirão apps que tornam o celular num ortoscópio ou oftalmoscópio. Não está longe o dia em que poderemos combinar a capacidade de recolha de dados com a transmissão da informação para o médico, hospital ou clínica. Será como uma visita de médico sem que o médico vá na casa do paciente.

Dessa forma, poderia haver um aumento significativo de eficiência para os médicos de família na maioria dos centros rurais, mas certos serviços de saúde especializados, como oncologia, neurologia ou cardiologia, não existem nesses locais. 

A IBM desenvolveu o supercomputador Watson, que compreende linguagem, toma decisões e até aprende, usado no programa de TV Jeopardy, derrotando adversários "meramente" humanos. O supercomputador está sendo treinado pelos especialistas do maior e mais antigo centro de tratamento e pesquisa de câncer do mundo, o Memorial Sloan Kettering, para ajudar os oncologistas a tomar as melhores decisões de tratamento. O Watson recebe quase toda a a informação existente sobre cada tipo de câncer e, através da sua capacidade de processamento de dados, avalia os sintomas de cada indivíduo, a sua história e genômica, correlacionando essa informação com as mais recentes pesquisas e providenciando um plano de tratamento individualizado para ser analisado e usado pelos médicos.

No entanto, para a generalidade do serviço de saúde, Watson representa um mundo de capacidades incríveis mas, infelizmente, um nível inatingível de tecnologia.

E se fosse possível pegar nas habilidades do supercomputador e, disponibilizar de forma acessível, usando a tecnologia existente nos hospitais?
 
Se considerarmos o Seti Institute, na Universidade de Berkeley, veremos que o objetivo não é inatingível. SETI, que é a sigla em inglês para Search for Extraterrestrial Intelligence (Busca por Inteligência Extraterrestre) é um projeto de pesquisa que busca por vida inteligente no espaço através da análise de sinais de rádio de baixa frequência captados por radiotelescópios terrestres. O volume de dados é tão grande que seria impossível analisar toda a informação recolhida. Para resolver esse problema, o instituto criou uma rede computacional que divide os dados em pequenos trechos que possam ser analisados por computadores pessoais comuns. 

Cada pedaço de informação é analisado usando o poder computacional de centenas de milhares de computadores por todo o mundo, permitindo englobar a gigantesca quantidade de dados recolhidos.

Existem projetos semelhantes relacionados com simulação molecular de proteínas, controle da malária, compreensão das relações evolutivas, pesquisa de câncer, por exemplo.

Mas, pergunta Hamons, qual a relação com serviços de saúde nos centros rurais?

Imaginemos a análise de prontuários médicos de pacientes, exames e resultados usando o demorado processamento normal da indústria médica. Teríamos a oportunidade de fazer o mesmo que o supercomputador Watson, mas a um custo bem inferior e usando a infraestrutura já existente, só que, a um ritmo bem lento.
Depois, imaginemos um vasto ecossistema de sensores de recolha de dados (como os smartphones) e computadores ligados em rede para providenciar diagnósticos de apoio em qualquer local e a qualquer momento, sempre que necessário.

Será sempre necessária intervenção humana e juízo subjetivo no serviço de saúde, por isso, o processo tecnológico não substituiria o médico, mas permitiria conseguir o mais alto nível de perícia até na menor comunidade ou no local mais distante. 


B) a recente entrada dos gigantes varejistas no mercado da saúde


Eletrodomésticos, brinquedos e...serviços de saúde?

A inovação não surge apenas de placas de circuito e software, vem também com mudanças de mercado, oportunidades e organizações querendo "se dar bem fazendo o bem", escreve Hamons.

Hoje em dia, vemos mega-varejistas, como a Walmart, começando a penetrar na assistência à saúde através de clínicas de varejo que realizam exames laboratoriais tratam doenças básicas como gripe ou otite. Esse tipo de clínica oferece grandes benefícios às pequenas comunidades.

Um desses benefícios seria a possibilidade de retirar a indústria da saúde do tradicional "modelo de taxas de serviço" e caminhar para um sistema de compensação baseado no bem estar.

Atualmente, nos Estados Unidos, as seguradoras pagam médicos, clínicas e hospitais sempre que alguém está doente e procura tratamento. Faz mais sentido econômico pagar para que os profissionais previnam doenças e promovam bem estar. Empresas como a Walmart, pela sua capacidade de chegar até às comunidades rurais com baixo custo e de forma diária, estão criando e expandindo as oportunidades para esse tipo de bem estar.

Além de resolverem importantes lacunas no sistema de saúde, essa proliferação de clínicas varejistas oferece a possibilidade de uma maior colaboração e inovação mais rápida. Por associação, também iria libertar os reduzidos recursos nas comunidades rurais para ajudar aqueles que realmente necessitam de tratamento urgente ou cuidados especializados.

O desafio é o sigilo

A pergunta que Spencer Hamons lança de seguida é: conseguem imaginar dois gigantes varejistas como a Walmart e a Target a debater os seus molhos secretos comercialmente sensíveis? Hamons também dá a pronta resposta: claro que não.

Acontece que, no mundo da saúde, todos os profissionais partilham sucessos, fracassos e lições. A colaboração é um modo de vida no seio das instituições de saúde. Se a saúde for o caminho para colaborar com essas grandes e omnipresentes empresas, poderíamos dar um passo de gigante em direção a transformar o setor da saúde. Seria possível desenvolver e apurar novos sistemas de serviço e tratamento que levariam a melhores práticas que, no mundo atual com o "modelo de taxas de serviço", são inimagináveis.

A partir desse ponto, se essas novas metodologias práticas pudessem ser desenvolvidas nos hospitais rurais e por profissionais locais, a eficiência e a eficácia melhorariam exponencialmente, proporcionando a todos a oportunidade de prosperar.

Resumindo

Com o encerramento dos hospitais rurais a um ritmo alarmante, muitas populações envelhecidas e carentes estão sofrendo.
Através da tecnologia em desenvolvimento acelerado e da expansão dos modelos de assistência, espera-se que seja possível reverter a tendência de encerramento e retomar a prestação de serviços de saúde de nível mundial a todas as comunidades, independentemente da sua localização ou estatuto socioeconômico, conclui Hamons.



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