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28/05/14
Feira lança alta tecnologia que demora a chegar no mercado
Para especialistas, entraves vão desde a falta de evidência sobre a eficácia dos novos produtos até a demora na aprovação pela Anvisa
Da redação

Uma câmera do tamanho de uma pílula que o paciente engole para realizar um exame de estômago e intestino, um tecido que aquece o corpo do paciente, tintas antibactérias, aplicativos que ensinam xercícios fisioterápicos. Essas novas tecnologias, muitas apresentadas esta semana na feira 21ª edição da Hospitalar, maior evento de saúde da América Latina, surgem a cada ano, mas podem demorar até uma década para chegar ao mercado. E muitas vezes, nem chegam. As informações são da Folha de S. Paulo.

Para especialistas, os entraves vão desde a falta de evidência sobre a eficácia desses novos produtos, até a demora na aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e as dificuldades de incorporar estes produtos no Sistema Único de Saúde (SUS) e na lista de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Segundo o médico Álvaro Atallah, diretor do Centro Cochrane do Brasil, essas novas tecnologias chegam rápido ao mercado e quase não dá tempo para acumular casos e fazer uma avaliação criteriosa baseada em evidência. Já para a indústria, a demora na regulação é a principal queixa.

A aprovação de novos produtos que demandam vistorias no exterior leva até três anos, afirma Carlos Goulart, presidente-executivo da Abimed (associação da indústria de alta tecnologia de produtos médico-hospitalares). Segundo ele, atualmente, há uma fila de 1.500 fábricas para serem vistoriadas e, quando o registro sai, o produto pode estar defasado. Várias empresas têm recorrido à Justiça para apressar as vistorias.

A Anvisa está fazendo parte de um fórum internacional de reguladores de produtos médicos, para discutir um modelo comum de certificação de equipamentos da área de saúde, o que agilizaria o processo.

Segundo Walter Cintra Ferreira Júnior, médico e gestor hospitalar, o tempo de demora da Anvisa para dar o registro é um fator de proteção ao sistema de saúde. Após a aprovação do produto no país, outra questão é saber se o SUS ou os planos de saúde vão custeá-lo.

Uma pequena pílula com câmera, que faz um diagnóstico similar à colonoscopia, foi aprovada pela Anvisa em 2002. Ela é um exemplo. O produto não está no rol da ANS nem no SUS e só é reembolsada por alguns planos de saúde. Uma nova versão da pílula foi lançada na Hospitalar, mas sem necessidade de sedação.

Para o nefrologista Yussif Ali Mere Júnior, presidente do sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios (Sindhosp), trata-se de uma tecnologia útil. Mas, segundo ele, sem reembolso, fica difícil de entrar na rotina das clínicas ou dos hospitais

Ainda segundo Mere Júnior, cada vez mais a relação entre custo e efetividade de um novo produto deve ser considerada antes de sua incorporação ao sistema de saúde para evitar procedimentos desnecessários. O nefrologista explica que há mais aparelhos de ressonância magnética no eixo da Avenida Paulista e adjacências do que em todo o Canadá.

Walesca Santos, empresária e presidente da Hospitalar, afirma que o papel da feira é democratizar a informação sobre todos os tipos de produtos e serviços em saúde. A incorporação deles, diz, é decisão das instituições de saúde, das agências reguladoras e das fontes pagadoras.



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