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27/12/12
Hospital testa prontuário eletrônico que prevê piora do paciente
Ferramenta, que será utilizada no Hospital Santa Catarina, em Blumenau (SC), deverá ajudar médicos a obter estatísticas sobre desempenho de pacientes e do hospital
Da Redação

A mudança de prontuários em papel para arquivos eletrônicos irá mudar mais do que o suporte onde estão anotadas as informações dos pacientes. Novas ferramentas desenvolvidas para analisar os dados contidos nos arquivos poderão ajudar os médicos a controlar a prescrição de remédios, a equacionar filas de pacientes para procedimentos em hospitais públicos e saber qual dos pacientes internados podem ter maior risco de piorar.

A partir de fevereiro, o Hospital Santa Catarina de Blumenau (SC) vai começar a testar um algoritmo que é utilizado em nove hospitais americanos para prever o prognóstico do paciente, saber quais deles possuem mais chances de voltar a ser internados caso recebam alta e quais pacientes devem ser priorizados durante as rondas.

Indicadores – Segundo Luiz Haertel, cardiologista e diretor médico do programa de prontuários eletrônicos usado no hospital, o algoritmo leva em consideração resultados de exames como pressão, frequência cardíaca, hemogramas e testes de função renal, além das observações do setor de enfermagem, como a aceitação do paciente à alimentação e o seu risco de queda. “O algoritmo dá um peso a cada uma dessas variáveis. Se uma piorou, a curva vai começar a cair, ainda que o paciente não sinta nada”, diz. 

A ferramenta, chamada de Índice Rothman, será avaliada durante um ano no hospital de Blumenau. O objetivo é entender se haverá alguma mudança na conduta dos médicos e se haverá alguma melhora no atendimento. “A junção de informações que estão separadas no prontuário pode virar um novo conhecimento e dar pistas de diagnóstico e tratamento”, completa Haertel.

Domínio do papel – O alcance da digitalização em relação à utilização do papel ainda é baixo no Brasil. De acordo com Marco Antônio Gutierrez, presidente da Sbis (Sociedade Brasileira de Informática em Saúde), menos de 10% dos hospitais – cerca de 600 instituições no país –utilizam algum tipo de prontuário eletrônico. Na atenção básica, como em postos de saúde e ambulatórios, os sistemas são utilizados apenas para controlar agendamento de consultas. 

O paciente só poderá ter os dados registrados em um prontuário eletrônico em hospitais que já aderiram ao sistema. O Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo) é um deles. O instituto possui um departamento de informática, dirigido por Gutierrez, que desenvolveu o programa utilizado há cerca de dez anos. Segundo o engenheiro, o sistema nunca termina. “Estamos aumentando o número de ferramentas de apoio ao diagnóstico, saindo de uma fase de registro de dados e entrando num sistema mais ativo”, completou.

A fila de cirurgia, por exemplo, é formada de acordo com um indicador de risco gerado pelo prontuário eletrônico, através da utilização de dados como idade, sexo e resultados de exames. Além disso, o sistema gera alertas caso o médico receite remédios que possam ter uma interação perigosa.

Economia – O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) também possui um sistema de prontuário que tem sido útil, entre outras coisas, para fazer andar a fila de cirurgias.

Para Kaio Jia Bin, diretor de operações e tecnologia de informação do instituto, atualmente, caso um paciente desmarque a operação, seja qual for o motivo, será possível aproveitar a mesma equipe de cirurgia para outro doente, evitando assim que equipamentos e profissionais fiquem ociosos. Isso se a desistência for avisada em um prazo de 24 horas. "Consigo substituir o paciente em 94% dos casos. Só com essa gestão, economizamos R$ 3 milhões entre 2010 e setembro de 2012 e agilizamos a fila", disse. 

O médico faz ressalvas quanto ao uso de cálculos matemáticos para estabelecer quais doentes deverão ter prioridade. "Quanto mais automatizado é o atendimento, menos médicos você vai ter. Um algoritmo pode baratear o custo e piorar o atendimento". Para Haertel, a utilização dessas ferramentas poderá ajudar a tornar mais justa a escolha dos pacientes que precisam de mais atenção. "Ninguém quer ser um número num hospital, mas todo mundo é. A vocação do prontuário eletrônico é corrigir os erros assistenciais", finaliza. 

*As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.



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