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03/06/15
Informação certa, no lugar certo, pode salvar milhões de vidas
Com mais de 30 anos de experiência em tecnologia da saúde, o executivo de Nova York Dominick Bizarro diz que o Brasil vem dando saltos na área de TI
Da redação


Dominick Bizarro: executivo deixou o cargo de CEO da InterSystems para fundar a Value Informatics, uma consultora especializada em tecnologias de informação para obtenção de melhorias clínicas e financeiras (Foto: Divulgação)

Nova York é o ponto de partida da visão otimista de Dominick Bizarro sobre a saúde no Brasil. Em janeiro último, o executivo deixou o cargo de CEO global da InterSystems para fundar a Value Informatics, uma consultora especializada no uso de tecnologias de informação para obtenção de melhorias clínicas e financeiras. “Economias emergentes, como a do Brasil, têm historicamente realizado grandes saltos rumo à inovação que vão além das soluções tradicionais de mercado”, acredita Bizarro. Com mais de 30 anos de experiência em TI na área de saúde, ele foi um dos responsáveis pela implantação do NYeC – uma rede de informações do estado de Nova York que atende a 20 milhões de usuários. “Quando um paciente se interna em um quarto de emergência de  hospital de Nova York, a primeira coisa que os médicos vão fazer é abrir uma tela de resumo das suas condições clínicas”, salienta “Este é um exemplo de como a informação certa, no lugar certo, pode salvar a vida de milhões de pessoas”. De Manhattan, Bizzaro concedeu a seguinte entrevista à Diagnóstico.

Revista Diagnóstico: Qual é a próxima grande virada no segmento de tecnologia da informação no setor de saúde? 
Dominick Bizarro: A gestão das doenças crônicas relacionadas à idade e as condições baseadas no estilo de vida estão ameaçando sobrecarregar a assistência em saúde em todo o mundo. Globalmente, as doenças crônicas representam 75% dos gastos de saúde.

Diagnóstico: Quais são os maiores desafios para a implantação da cultura digital no setor de saúde?
Bizarro: A complexidade do setor de saúde e das informações clínicas. Por exemplo, o ICD-10, sistema de códigos internacionais para diagnósticos, possui mais de 14 mil itens. O Snomed-CT, que é usado para descrever pacientes dentro dos prontuários de saúde eletrônicos, tem mais de 300 conceitos. Não por acaso, profissionais do setor ainda se sentem mais confortáveis descrevendo o cuidado prestado em notas de texto.

Diagnóstico: O Big Data é o centro das atenções das novas tecnologias no setor. Quais são os principais erros cometidos pelas companhias no uso desse conceito?
Bizarro: Big data não está relacionado apenas à quantidade de dados que você tem, mas que tipo de informações são essas. Dados de saúde são muito heterogêneos – incluem imagens, informações de pagamento, diagnósticos, vídeos, registros de tratamentos, observações médicas, administração de medicamentos e reações adversas. Ou seja, quase tudo que se possa imaginar, e que precisa ser feito de maneira rápida. O que tipifica as principais características associadas ao big data são: volume, variedade e velocidade. No entanto, a maioria das pessoas subestima a complexidade de se obter informações significativas a partir desses dados. Há um grande desafio no que se refere à interpretação das informações dos registros de saúde. Para compreender melhor o significado das informações do paciente, é importante ter uma sequência de atividades – o que pode ser uma tarefa difícil se essas atividades forem elaboradas com base em muitas fontes diferentes. 

Diagnóstico: Quais são as influências das culturas regionais na criação de novas soluções para o setor? 
Bizarro: Mundialmente, compartilhamos muitos dos mesmos desafios: a rápida mudança tecnológica; o crescimento da complexidade do big data; a necessidade de coordenar atividades de saúde entre diferentes organizações; e a pressão para medir e aprimorar melhor os custos e os resultados na área de saúde. Mas cada cultura regional aborda esses desafios um pouco diferente com base nas prioridades e infraestruturas locais.

Diagnóstico: Qual o diferencial do New York eHealth Collaborative (NYeC)?
Bizarro: A NYeC é uma rede de informações do estado de Nova York, que atende a 20 milhões de pacientes. Se você viver em Nova York será beneficiado por esta rede. É notável o fato de ter sido criado um registro centrado no paciente abrangente, atual e confiável, através de muitos sistemas e populações diferentes. Quando um paciente se interna em um quarto de emergência de  hospital de Nova York, a primeira coisa que os médicos vão fazer é abrir uma tela de resumo das suas condições clínicas. Essas informações incluem medicações atuais, alergias e outras informações vitais. Este é um exemplo de como a informação certa, no lugar e no momento certo, pode salvar a vida de milhões de pessoas.

Entrevista publicada na revista Diagnóstico n° 29.



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