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16/12/13
Mais Médicos: Tablets perdem funções por falta de Wi-Fi nas UBSs
Profissionais recebem aparelho, mas não conseguem acessar informações durante as consultas porque postos de saúde não têm serviço de internet sem fio
Da redação

Profissionais do programa Mais Médicos não conseguem utilizar os tablets oferecidos pelo Ministério da Saúde para auxiliá-los no atendimento aos pacientes porque não há serviço de Wi-Fi nos postos de saúde onde trabalham. O aparelho disponibiliza recursos como materiais de consulta referentes a protocolos clínicos, informações sobre doenças e tradutor português-espanhol. As informações são do Estado de S. Paulo.

Boa parte do material disponibilizado nos tablets só pode ser acessado se o aparelho estiver conectado à internet sem fio, mas a tecnologia inexiste na maioria das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) onde os médicos atuam. De acordo com um levantamento feito em 48 cidades do Estado de São Paulo que receberam profissionais do programa, das 36 prefeituras que responderam à pesquisa, apenas oito têm internet Wi-Fi em todos os seus postos de saúde, seis têm a tecnologia em algumas unidades e 22 não possuem o serviço em nenhuma UBS.

O tradutor do espanhol para o português, por exemplo, só funciona se tiver internet e, segundo Uma médica cubana, que trabalha na zona norte de São Paulo, afirma que o isso dificulta o trabalho porque, "quando surge alguma dúvida, temos de interromper a consulta, às vezes sair da sala, para pedir ajuda a um colega. Todos são sempre muito solícitos, mas o serviço no tablet facilitaria", completa.

Com cem profissionais do programa Mais Médicos, não existe internet Wi-Fi em nenhum dos postos de saúde da na capital. Em todo o Estado, são 356 profissionais já em atendimento, além de 216 que devem começar a trabalhar ainda neste mês.

O aplicativo Telessaúde é outro recurso do tablet indisponível para os médicos no qual os profissionais podem enviar suas dúvidas para os supervisores e que só funciona com internet. O Código Internacional de Doenças (CID-10) também só pode ser consultado quando há rede Wi-Fi disponível.

De acordo com os médicos que trabalham em cidades em que as UBSs possuem internet, os recursos dos tablets facilita o trabalho. A médica cubana Mercedes Perez Calero, que trabalha em Guarulhos, onde 20 dos 67 postos têm internet grátis, afirma que, quando precisa consultar detalhes sobre alguma doença ou tirar dúvidas relacionadas ao idioma, o tablet agiliza a consulta.

O Ministério da Saúde diz que, até agora, 4.974 médicos já receberam o tablet em todo o País. O investimento total é de R$ 7,2 milhões e cada aparelho custou R$ 1.450. Outros cerca de 1,6 mil médicos que estão no Brasil pelo programa também vão receber o equipamento, diz a pasta.

Questionado sobre a dificuldade de uso do material pelos médicos, o ministério informou que todo o material está disponível para acesso remoto. Mas o tradutor, o aplicativo Telessaúde e o CID-10 não funcionam sem internet. Apenas as portarias e vídeos sobre os programas do ministério, protocolos clínicos, cadernos de atenção básica e produções científicas estão disponíveis no formato offline. Ainda segundo o ministério, o equipamento tem tecnologia 3G e cabe ao médico contratar um pacote de dados móveis para ativar o serviço.



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