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09/01/13
Médicos contestam a eficácia de aplicativos que prometem curas
Ferramentas prometem melhorias de problemas de saúde como acne e depressão. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há projetos de regulamentação do setor no país
Da Redação

Mais de 40 mil aplicativos “Médicos” estão disponíveis em aparelhos celulares. Boa parte deles são considerados inofensivos e desempenham tarefas simples, como lembrar o usuário de tomar um medicamento. Entretanto, uma parcela cada vez maior promete a cura para diversos problemas de saúde, sem testes ou evidências científicas. Entre as promessas destes aplicativos estão melhorias em relação à acne e alívio em casos de depressão. Agora, estes apps estão na mira de associações médicas, grupos de pesquisa e, inclusive, inclusive a FDA (Food and Drug Administration), agência que regula medicamentos nos EUA.

Nos próximos meses, a organização irá emitir novas regras para fiscalizar e controlar a circulação desses softwares. De acordo com um levantamento feito pelo Centro de Jornalismo Investigativo, ligado à Universidade de Boston, na Nova Inglaterra, em uma lista de 1.500 aplicativos, as maiores mentiras prometidas se beneficiam da falta de informação dos usuários. Em outros momentos, eles apresentam conceitos errados e utiliza tratamentos de maneira simplista.

É o caso do AcnApp, para iPhone, que era vendido por US$ 1,99. De acordo com o fabricante, o usuário precisa apenas segurar o visor próximo ao rosto durante alguns minutos diariamente. O aparelho emite luzes vermelhas e azuis que melhoraria a pele após matar as bactérias que favorecem a acne. O tratamento com luz vermelha e azul já é consolidado no combate à acne. Mas, segundo a dermatologista do Hospital Samaritano, Gabriela Casabona, a luz que proporciona esse efeito é própria para isso. Possui um comprimento de onda, um tempo de exposição e uma distância muito específicas. 

Com quase 15 mil downloads, o aplicativo despertou a atenção das autoridades, que conseguiram removê-lo da lista da loja da Apple. Como resultado, o fabricante precisou pagar uma multa de US$ 14.294, mas não teve nenhum problema com a Justiça. A decisão, no entanto, atingiu outros dispositivos.

Outro aplicativo, o iSAD, promete tratar a desordem afetiva sazonal - depressão que atinge pessoas com baixa exposição à luz solar, como as que vivem em países nórdicos. A promessa de cura é através da utilização da luz do visor do iPhone em sessões diárias de aproximadamente 30 minutos, ao custo de US$ 9,99. Elko Perissinotti, do IPQ (Instituto de Psiquiatria da USP), afirma que é improvável que a intensidade do visor e a forma como é utilizado sejam capazes de proporcionar a cura.

A ferramenta Breast Augmentation promete fazer efeito através do som. A partir da ideia de que mulheres amamentando têm seios maiores, o aplicativo diz que ouvir alguns minutos de choro de bebê por dia estimula o organismo a aumentar os seios.

Estes apps podem ser comprados no Brasil, mas segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há projetos de regulamentação do setor. Oficialmente, qualquer aplicativo que se proponha a curar uma doença precisa de autorização do órgão.

As informações são da Folha de São Paulo.



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