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25/04/12
Pesquisadores geram imagens coloridas de tecido em 3D
Cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, desenvolveram técnica que pode ajudar na identificação do câncer
Da redação

Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, desenvolveram um técnica para gerar imagens coloridas, de alta resolução e em 3D de um pedaço de tecido corporal, que podem ajudar na identificação do câncer em seus estágios iniciais. As informações são do jornal "O Estado de São Paulo".

 

As imagens podem ser vistas no computador e examinadas a partir de qualquer ângulo. Segundo a Cancer Research UK, entidade de combate ao câncer britânica, a tecnologia pode auxiliar na compreensão sobre o crescimento do câncer e sua capacidade de se alastrar. Os cientistas esperam que as descobertas ajudem no tratamento da doença.

 

A técnica, que não é nova, surgiu há dez anos para substituir o método convencional de cortar pedaços ultrafinos da pele para que elas pudessem ser examinadas em um microscópio. Os scanners, que são usados em todo o mundo atualmente, produzem imagens bidimensionais, que revelam apenas o que está contido na superfície daquele pedaço de tecido.

 

Segundo Derek Magee, um dos cientistas participantes do desenvolvimento da nova técnica, afirma que o método bidimensional tem limitações já que o "tecido é, naturalmente, tridimensional". "Para muitos usos, essa natureza tridimensional é importante", disse em entrevista à BBC.

 

Para criar uma imagem tridimensional, um pedaço de tecido precisa ser cortado em centenas de camadas ultrafinas com uma máquina de extrema precisão chamada mocrotome. Cada uma dessas camadas é, em seguida, colocada em um vidro com 1 milímetro de espessura e a imagem decorrente é jogada em um escâner digital.

 

O scanner em seguida cria impressões 2D de cada superfície. O software desenvolvido pela Universidade de Leeds gera uma imagem tridimensional a partir de cada um desses slides, criando uma representação realista, que pode ser manipulada e movimentada por especialistas.

 

"Isso pode ajudar a identificar pequenos tumores que poderiam passar despercebidos se fossem seguidos procedimentos convencionais. Além disso, se houver um vaso sanguíneo por perto, será possível ver se um tumor o atingiu", afirmou Magee à BBC.

 

A tecnologia permite também que um cirurgião possa remover um tumor situado próximo a um órgão sensível. Em condições normais, esse tipo de intervenção cirúrgica é altamente delicada, por conta dos riscos.

 

"Essa tecnologia pode ajudar pesquisadores a compreender mais a respeito da doença e encontrar formas de tratá-la de maneira mais eficaz. Estamos começando a entender o quão complexo é o câncer. Um tumor é um órgão tridimensional formado por células saudáveis e cancerosas, incluindo vasos sanguíneos, células do sistema imune e outras células normais", afirma Kat Arney, gerente de Ciência de Informação da Cancer Research UK.

 

Outras tentativas de criar imagens 3D de amostras de tecido já foram feitas, mas elas pecavam pela sua baixa resolução e, portanto, não ofereciam imagens detalhadas. As imagens eram produzidas a partir da montagem digital de fotos de imagens microscópicas.

 

A equipe da Universidade de Leeds afirma que a sua pesquisa marca a primeira vez que um escâner digital convencional é usado para gerar imagens de alta resolução de um tecido corporal.

 

"Até hoje, o uso da tecnologia de imagens 3D para estudar doenças era limitado por causa da baixa resolução, do tempo e da dificuldade associados com a aquisição de um grande número de imagens por meio de um microscópio", disse o pesquisador-sênior Darren Treanor.



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