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20/05/15
Robert Pearl discute a prevenção na adoção de tecnologias da saúde
Abordagem empresarial responsável por tecnologias ainda falha em penetrar no sistema de saúde, diz colunista da Forbes
Robert Pearl*


Por que tantas tecnologias falham O penetrar no sistema de saúde: para Robert Pearl, empresários do setor de tecnologia muitas vezes tem uma abordagem atrasada da invenção (Editoria de arte/Shutterstock)

Todos os anos, líderes de opinião, médicos, acadêmicos e empresários se juntam na MedX, uma dos maiores eventos em saúde promovido pela Stanford Medicine X, com um desejo comum: transformar a saúde americana através da tecnologia. Mas eles também dividem uma mesma frustração: no setor de saúde, os EUA adotam de forma lenta e instável as novas tecnologias.

Por que tantas tecnologias aparentemente boas falham ao penetrar no sistema de saúde? A questão é um tópico da minha apresentação no MedX, que este ano será realizado entre os dias 23 e 24 de setembro. Antecipo para vocês algumas respostas que, acredito, consigam lançar alguma luz na realidade da adoção de tecnologias na saúde.

1. Muitas novas tecnologias não abordam o problema real
Os empresários do setor de tecnologia muitas vezes tem uma abordagem atrasada da invenção. Eles começam a descobrir uma tecnologia elegante. Depois, eles descobrem como as pessoas podem utilizá-la. Esta técnica sempre ensina aos empresários uma lição dura: a tecnologia não vale nada se não resolver um problema importante ou melhorar a vida das pessoas. 

Alan Cooper, considerado por muitos o pai moderno do User Experience Design (UXD), disse que a abordagem ideal é com “metas direcionadas”. Ou seja, os inovadores devem começar com os objetivos do usuário final. As soluções virão depois. Quando a ordem é revertida, os resultados normalmente são desapontadores.

Como um exemplo, o mundo da saúde recentemente se encantou com os dispositivos vestíveis. Muitos destes equipamentos ajudam a resolver o problema sobre qual presente dar a um ente querido no final do ano. Ainda assim, muitos destes equipamentos resolvem grandes problemas de saúde.

Estas pulseiras, sensores, fones de ouvido e até as “roupas inteligentes” podem obter e transmitir uma grande quantidade de dados sobre qualquer coisa, desde o ritmo cardíaco até a pressão sanguínea. Mas existe uma pequena evidência de que os usuários destes dispositivos superam as perturbações do ritmo cardíaco ou pressão arterial elevada de forma mais eficiente do que os outros.

Além disso, os médicos não querem todos os dados de qualquer forma. Eles acham excessivos, redundantes e incapazes de fazer diferenças clínicas. Os médicos adorariam ter uma ferramenta que realmente ajudasse o paciente a melhorar a administração de sua dieta, exercícios e níveis de estresse. Muitas aplicações disponíveis hoje desejam modificar comportamentos através de alertas, lembretes e feedbacks em tempo real, mas apenas alguns demonstraram sucesso mensurável.

Os empresários que esperam ter um impacto positivo sobre nossa saúde devem focar em ajudar pacientes a evitar doenças crônicas e administrar problemas de saúde quando eles aparecem. E eles seriam prudentes ao fazer isto usando tecnologia que já existe durante o desenvolvimento de soluções que sejam fáceis e baratas. Os apps que usam tecnologias novas, complexas e caras enfrentarão uma batalha difícil para adoção.

2. Ninguém quer pagar por novas tecnologias
A criação de uma ferramenta inovadora ou um app que pode ajudar médicos e pacientes não é suficiente. Estes produtos devem também ser monetizados. Na saúde, isto se prova difícil. Pacientes, médicos, hospitais e operadoras têm grandes benefícios com as novas tecnologias. No entanto, cada um pensa que o outro deve pagar por isto.

Além disso, os empresários devem entender que as dificuldades financeiras são inerentes ao atual modelo de pagamento de taxa de serviço. Os médicos e hospitais serão lentos em adotar qualquer tecnologia que reduza custos ou as visitas aos pacientes. Por quê? Porque o modelo de pagamento de hoje recompensa os médicos e hospitais pelo volume e custos de serviços que eles promovem – não pela qualidade do resultado que eles alcançam.

Até nosso modelo de pagamento mudar da taxa por serviço para o pagamento pela qualidade, algumas das mais efetivas soluções tecnológicas serão difíceis de vender.

*Robert Pearl é médico formado pela Escola de Medicina da Universidade de Yale, com residência em cirurgia plástica e reconstrutiva na Universidade de Stanford, onde ensina estratégia, liderança e tecnologia. É colunista da revista Forbes. Publicado com autorização.

**Leia o ensaio completo na edição 29 da revista Diagnóstico.




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