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28/06/12
Teste sanguíneo detecta risco de infarto depois de cirurgia
Pesquisadores estudaram 15 mil pacientes de diferentes países, entre eles o Brasil
Da redação

Um simples exame de sangue pode ajudar a prever quais pacientes têm maior risco de sofrer um infarto após cirurgias de impacto, como ortopédicas ou urológicas. É o que mostra um estudo divulgado no "Journal of the American Medical Association", que acompanhou 15 mil pacientes de diferentes países, incluindo o Brasil. As informações são da "Folha de S. Paulo". 

"Uma operação de grande porte nada mais é que um teste de esforço. Há um grande estresse para o coração e, portanto, risco de infarto", disse Otávio Berwanger, diretor do projeto e do Instituto de Pesquisas do HCor (Hospital do Coração, em São Paulo) e um dos autores do novo estudo.

O infarto pode acontecer devido às reações do corpo a algumas situações que as cirurgias acarretam, como aumento dos níveis de adrenalina e maior tendência do sangue a coagular. Berwanger afirma que o infarto que ocorre nas primeiras horas após a cirurgia é mais grave do que os que acontecem fora desse contexto. A mortalidade é de 14%, em comparação com uma taxa de até 8% nos infartos não relacionados a operações.

Isso se explica porque o paciente, que geralmente está sedado ou tomando analgésicos, não sente os sinais típicos do infarto, como dor no peito, não recebendo, portanto, os cuidados necessários. "Estamos falando de um problema grave, mas pouco reconhecido", disse o médico.

O exame mede uma enzima, a troponina-T, que é liberada pela corrente sanguínea em caso de infarto ou outro problema cardíaco grave. O teste já é usado na prática clínica para o diagnóstico do problema, mas não para o acompanhamento dos pacientes.

Descoberta - Os cientistas descobriram que 25% dos pacientes que eram considerados de baixo risco, com boa evolução pós-operatória, apresentavam altos níveis de troponina-T. Hoje, a avaliação dos pacientes com maior risco é baseada na história clínica da pessoa - idosos e doentes do coração inspiram mais cuidados. Mas o estudo indica que esse não é um bom indicador.

Berwanger diz que 11,6% dos 15 mil pacientes tiveram alteração da enzima. Desses, cerca de 7% sofreram eventos cardiovasculares graves, a maioria deles infartos.

Segundo Carlos Costa Magalhães, presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), o estudo é importante.

"O exame, já usado nas suspeitas de síndrome coronariana aguda nas emergências, agora tem uma indicação para ser utilizado na evolução clínica de pré e pós-operatório de cirurgias", disse.



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