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07/11/17
Tratamento contra tuberculose multirresistente pode ser mais rápido, dizem cientistas
Atualmente, recomendação é tomar remédios por 2 anos, mas ingleses descobriram que tomar por nove meses é tão eficaz quanto
Da redação

Pesquisadores da União Internacional Contra Tuberculose e Doenças Pulmonares e da University College London constataram que é possível combater com eficiência a tuberculose multirresistente com um tratamento de apenas nove meses, diferente dos dois anos atualmente recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A pesquisa desenvolvida pelos pesquisadores incluiu 424 pacientes com tuberculose multirresistente na Etiópia, Mongólia, África do Sul e Vietnã. O resultado foi que 78% deles se curaram — a taxa de sucesso para o tratamento de dois anos é pouco maior: 81%. O regime mais curto também se mostrou eficiente em pacientes co-infectados com HIV. Os resultados foram divulgados na 48ª Union World Conference on Lung Health, que ocorreu no México em outubro.

Geralmente, pacientes com tuberculose ingerem quatro remédios por dia durante seis meses. Porém, no tratamento da tuberculose multirresistente costumam ser necessárias infusões intravenosas em hospitais, além de antibióticos de segunda linha, que podem causar náuseas, surdez, danos ao fígado e outros efeitos colaterais. A estimativa da OMS é de que a doença atinja 480 mil pessoas no mundo, e somente metade desses pacientes é curada. No Brasil, a tuberculose é classificada como problema de saúde pública, com aproximadamente 70 mil casos novos por ano. De acordo com o Ministério da Saúde, ocorrem 4,5 mil mortes anualmente. Apenas no estado do Rio de Janeiro, a tuberculose atinge mais de 10 mil pessoas a cada ano.

Segundo o membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, o patologista Helio Magarinos Torres Filho, o tempo mais curto de tratamento dá mais garantias de que o paciente vá conseguir completá-lo integralmente. "É muito comum as pessoas abandonarem o tratamento da tuberculose no meio e simplesmente deixarem de tomar os remédios. Isso faz com que a doença fique cada vez mais resistente. Por isso seria um grande ganho poder reduzir, com igual eficácia, a duração do tratamento", afirma.

Rio tem mais casos que Congo e Serra Leoa Torres Filho destaca que a falta de condições sanitárias adequadas é o grande empecilho para que novos casos sejam evitados. "A tuberculose é uma das doenças mais antigas do mundo, sabe-se há muito tempo o que a causa e com quais medicamentos se deve tratar. Mas evitar que surjam casos depende mais das condições sanitárias e de saúde pública do que de qualquer outra coisa. Por isso há tantos casos em favelas, em lugares que não têm saneamento básico. Sem isso, é muito difícil combater a doença".

Dados recentes da Secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro pela Frente Parlamentar em Apoio ao Combate da Tuberculose da Câmara dos Vereadores revelam que as favelas de Manguinhos e Jacarezinho bateram recorde de incidência de tuberculose: a primeira contabiliza 337,4 casos por 100 mil habitantes, enquanto a segunda soma 332,9 por 100 mil.

Esses números são mais elevados do que os de países africanos como Congo e Serra Leoa, com 324 e 307 casos em cada 100 mil indivíduos, respectivamente.

Com informações do jornal O Globo.



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