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23/03/15
Utilização de aplicativos médicos tem eficácia questionada
Dispositivos não regulamentados poderiam representar uma ameaça significativa, segundo médicos. Atualmente, mais de cem mil apps de saúde estão disponíveis nas lojas do iTunes e Google Play
The New York Times

A propaganda do iPhone 5, da Apple, retratou o aparelho não apenas como um smartphone, mas como uma ferramenta de saúde. iPhones, Androids e agora o Apple Watch disponibilizam inúmeros aplicativos que também pretendem funcionar como equipamentos médicos, como acompanhar a pressão do sangue, tratar acne e até mesmo realizar exames de urina. As informações são do The New York Times.

Em meio à proliferação desses dispositivos, médicos e agências reguladoras dos Estados Unidos advertem que programas que pretendem diagnosticar ou tratar sintomas médicos podem ser duvidosos e até mesmo perigosos. De acordo com Nathan Cortez, especialista em Direito Tecnológico Médico e Regulamentação da Faculdade de Direito da Universidade Metodista do Sul, em Dallas, não existe maneira médica plausível de algum desses aplicativos funcionar.

Em artigo publicado no "New England Journal of Medicine", no ano passado, Cortez alertou que aplicativos de saúde que não são confiáveis ou regulamentados podem representar uma ameaça significativa. Cortez afirma que, um app para diabético, por exemplo, pode fazer uma leitura errada do nível de glicose no sangue, levando o paciente a aplicar mais insulina do que o necessário e, consequentemente, entrar em hipoglicemia.

Atualmente, mais de cem mil aplicativos de saúde estão disponíveis nas lojas do iTunes e do Google Play, de acordo com dados da Research2guidance, empresa de pesquisa de mercado móvel. Em 2017, o instituto estima que esse mercado – conhecidas como aplicativos móveis de saúde – será de US$ 26 bilhões. Cortez acredita que há centenas de milhões de usuários desses aplicativos em todo o mundo.

Alguns usuários consideram essas ferramentas uma vantagem. Keith Wick, 29 anos, técnico de TI na Califórnia, administra a sua diabete do tipo 1 através do smartphone. Wick mantém o registro do nível de açúcar no sangue digitando dados seis vezes ao dia em uma planilha virtual. Ele afirma que passa o dia no telefone e acredita que é mais fácil manter o registro no formato digital. "É muito mais simples do que carregar um papelzinho, para abri-lo e dobrá-lo no bolso ao longo do dia", completa.

Alguns aplicativos também funcionam com sensores externos. O monitor cardíaco AliveCor, por exemplo, possui um estojo aprovado pela FDA, agência norte-americana reguladora de alimentos e medicamentos, que se encaixa ao redor do iPhone para monitorar ritmos cardíacos básicos.

Os apps mais confiáveis costumam ser o resultado de colaborações entre desenvolvedores, médicos e especialistas em direito da saúde. Como o HemMobile, programa da Pfizer que auxilia pacientes hemofílicos a acompanhar transfusões. O aplicativo foi supervisionado por um comitê de análise da empresa formado por um médico, um profissional ligado às agências reguladoras e um especialista jurídico. 

Todos os detalhes do HemMobile, da tela à terminologia médica, necessitavam de aprovação do comitê. Bartholomew J. Tortella, diretor médico da equipe de hemofilia da Pfizer afirma que trata-se de um sistema eficiente. "Nós aprovamos a ideia, ela é construída, volta, nós testamos e a aprovamos novamente", explica.

Contudo, há os aplicativos móveis de saúde que não testados e mesmo assim costumam ser apresentados como substitutos de equipamentos médicos legítimos. Em alguns casos, os programas chamaram a atenção do governo.

Em 2011, a Comissão Federal do Comércio multou um desenvolvedor que afirmava que o seu programa, o AcneApp, poderia tratar a acne com a luz da tela do iPhone. Antes de ser removido da loja do iTunes, quase 12 mil pessoas baixaram o aplicativo. 

No ano passado, a FDA enviou uma carta à Biosense Technologies indagando a respeito do app uChek, que pretende utilizar a câmera do iPhone para interpretar tiras de análises de urina. O programa foi removido da loja do iTunes nos Estados Unidos. Ainda segundo Cortez, pacientes se valem desses aplicativos quando na verdade deveriam procurar ajuda médica.

Há também aplicativos de saúde menos rigorosos que são obrigados, por lei, a explicar que só devem ser utilizado para fins de entretenimento. Mas, normalmente, as letras são tão pequenas que alguns consumidores não levam a advertência à sério.

No ano passado, o cientista social de Farmington, em Connecticut, James P. Thompson, 68 anos, pagou US$ 3,99 pelos programas Pulse Oximeter Heart e Oxygen Monitor, da digiDoc Technologies. Thompson tem enfisema e achou que poderia utilizar o iPhone para monitor a frequência cardíaca e o nível de oxigênio no sangue.

Ele declarou que, assim como outros aplicativos aprovados, simplesmente aceitou que a emissão de uma luz serviria para analisar a saturação do oxigênio. Mas, na loja do iTunes, a descrição do Pulse Oximeter afirma que o app não deve ser utilizado clinicamente. Damoun Nassehi, médico e diretor-presidente da digiDoc, afirmou que a companhia sempre declarou que as pessoas não deveriam empregar o aplicativo para monitorar suas doenças. 

Thompson disse que conhecia o aviso legal do programa, mas achou que valeria a pena experimentar. Ele afirma que desistiu do app após as leituras do oxigênio no sangue realizadas pelo dispositivo terem aparecido completamente diferentes do equipamento de oximetria de pulso aprovado pela FDA.

A FDA divulgou recomendações para desenvolvedores e distribuidores, em resposta à proliferação de aplicativos móveis de saúde não testados. As diretrizes sustentam que a agência somente irá aplicar as exigências regulamentares de aplicativos qualificados como equipamentos médicos. Ou seja, qualquer coisa utilizada para diagnóstico, tratamento ou para impedir um sintoma médico. De acordo com Bakul Patel, diretor associado de saúde digital da FDA, a agência provavelmente não iria supervisionar um programa de monitoramento como o Pulse Oximeter.

Todavia, análises médicas independentes podem ajudar consumidores a escolher aplicativos que atendam aos padrões de segurança e eficiência. O Dr. Iltifat Husain, fundador e redator-chefe do iMedicalApps, site de resenhas, incentiva as pessoas a lerem as descrição dos aplicativos antes de comprá-los. Husain afirma ainda que, a melhor coisa, ainda é falar com um médico a respeito de programas que possam ajudar no tratamento. "Os médicos estão se tornando mais instruídos nessa área. Os aplicativos serão mais eficazes quando utilizados em conjunto com seu médico", completa Husain.

As informações são do The New York Times.



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